Uma nota duradoura não é uma nota longa. Alguns dos registros mais úteis são uma linha mais uma foto. O que faz uma nota sobreviver é a ancoragem: um punhado de pequenos fatos que a ligam ao mundo fora da sua cabeça. São exatamente cinco, e a maioria das notas precisa de só duas ou três.
As cinco âncoras
Cada uma responde a uma pergunta que um leitor futuro — geralmente você — vai fazer.
- Tema: sobre o que é? Um projeto, um objeto, uma questão — nomeados explicitamente.
- Motivo: por que valeu a pena guardar?
- Tempo: a que momento se refere — não quando foi escrita, mas quando vale.
- Pessoas: quem está envolvido — pelo nome, não por pronome.
- Próxima ação: o que deve acontecer por causa desta nota, se for o caso.
Quais âncoras se degradam mais rápido
A data de criação o sistema registra sozinho — essa âncora é grátis. Pessoas e prazos mencionados se degradam mais rápido e precisam ser ditos. O motivo resiste mais, mas dói mais quando falta: uma decisão sem explicação convida a rediscuti-la do zero.
Ancorar sem formulários
Não é um formulário a preencher. Um áudio — «para a viagem a Berlim: a Anna sugeriu o voo mais cedo, decidir até sexta» — contém quatro âncoras numa frase natural. O hábito é mencionar, não estruturar. E a âncora pulada na pressa o sistema recolhe: uma pequena pergunta «qual sexta?» logo depois da captura, e a resposta datada completa a nota.
Antes de fechar uma nota, dê a ela um segundo de revisão: um estranho saberia do que se trata, quem participa e a quando se refere? Acrescente a âncora mais fraca e siga em frente.